Por Adielson da Silva Pinheiro CRN3: 67703/P
Nutricionista da Oncologia da Santa Casa de Misericórdia de Itapeva
O câncer de mama é uma das neoplasias mais incidentes entre as mulheres em todo o mundo, porem 1% a cometem os homens. Diversos estudos apontam que a alimentação exerce papel fundamental tanto na prevenção quanto no enfrentamento da doença. Uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e compostos bioativos, podem contribuir para a modulação de processos inflamatórios, hormonais e imunológicos. Este artigo aborda os principais benefícios da alimentação saudável no contexto do câncer de mama, destacando nutrientes protetores, alimentos de risco e recomendações práticas baseadas em evidências científicas.
Introdução
O câncer de mama representa uma das principais causas de mortalidade entre mulheres, sendo influenciado por fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. Entre esses, a alimentação tem se mostrado um determinante essencial na prevenção e no prognóstico da doença.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 30 a 40% dos casos de câncer podem ser prevenidos por meio de hábitos alimentares saudáveis e prática regular de atividade física. Assim, compreender o papel dos nutrientes e padrões alimentares torna-se fundamental para estratégias de prevenção e melhoria da qualidade de vida das pacientes.
Desenvolvimento
O papel dos antioxidantes na proteção celular
Os antioxidantes atuam neutralizando os radicais livres, que podem causar mutações no DNA e favorecer o desenvolvimento de tumores.
Alimentos ricos em vitamina C (laranja, acerola, kiwi), vitamina E (oleaginosas e azeite de oliva) e betacaroteno (cenoura, abóbora, manga) têm sido associados à redução do estresse oxidativo e à melhora da resposta imunológica.
Além disso, os polifenóis presentes em frutas vermelhas, chá verde e cacau possuem ação anti-inflamatória e anticarcinogênica, podendo interferir positivamente na progressão do câncer de mama.
Fibras alimentares e regulação hormonal
A ingestão adequada de fibras contribui para a eliminação do excesso de estrogênio, hormônio que, em níveis elevados, pode estimular o crescimento de células mamárias anormais.
Grãos integrais, leguminosas e hortaliças são fontes importantes que auxiliam na modulação hormonal e no equilíbrio intestinal, reduzindo o risco de recidiva e complicações metabólicas durante o tratamento.
O papel das gorduras saudáveis
O consumo de gorduras insaturadas, como as encontradas no azeite de oliva, no abacate e nos peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha, atum), está relacionado à redução da inflamação sistêmica e melhora da resposta imunológica.
Por outro lado, gorduras saturadas e trans, comumente presentes em embutidos, frituras e alimentos ultraprocessados, têm associação direta com o aumento do risco de desenvolvimento tumoral e resistência à insulina.
Alimentos que devem ser evitados
Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares simples, sódio e aditivos químicos, estão entre os principais vilões da saúde.
O consumo frequente desses produtos contribui para o ganho de peso, inflamação crônica e desequilíbrio hormonal, fatores intimamente ligados à maior incidência e agressividade do câncer de mama.
O álcool também é um agente comprovadamente carcinogênico, e sua redução ou eliminação é fortemente recomendada.
Alimentação no tratamento do câncer de mama
Durante o tratamento, a alimentação exerce papel essencial na manutenção do peso corporal, força muscular e imunidade.
Pacientes em quimioterapia e radioterapia devem priorizar alimentos de fácil digestão, ricos em nutrientes e com boa densidade calórica, como purês, sucos naturais, caldos e frutas.
A presença de proteínas magras (peixe, frango, ovos, leguminosas) auxilia na regeneração tecidual e na recuperação pós-terapia.
Conclusão
A alimentação exerce influência direta e comprovada sobre a prevenção, o desenvolvimento e o tratamento do câncer de mama. Adotar um padrão alimentar equilibrado, baseado em alimentos naturais e variados, aliado à prática regular de atividade física e à manutenção do peso corporal, representa uma das estratégias mais eficazes na promoção da saúde e na redução do risco da doença.
Portanto, investir em educação nutricional e políticas públicas de incentivo à alimentação saudável é essencial para diminuir a incidência do câncer de mama e melhorar o prognóstico das pacientes diagnosticadas.
Referências
- World Health Organization (WHO). Diet, Nutrition and the Prevention of Chronic Diseases. Geneva: WHO; 2020.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Alimentação, Nutrição, Atividade Física e Câncer de Mama. Rio de Janeiro: INCA; 2022.
- Aune, D. et al. Dietary fiber intake and breast cancer risk: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. BMJ, 2020.
- Schwingshackl, L. et al. Mediterranean diet and cancer risk: an updated systematic review and meta-analysis. Nutrients, 2021.
- Monteiro, C.A. et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition, 2022.
